Contêineres e carga sendo inspecionados em área alfandegária

A retenção de encomendas na alfândega costuma acontecer por um conjunto de pequenos detalhes: descrição genérica, NCM duvidoso, valor declarado inconsistente ou documentação incompleta. Quando somados, esses fatores aumentam a percepção de risco da fiscalização.

1. Comece pela descrição comercial da mercadoria

Descrições vagas como “peças”, “acessórios” ou “amostras” acendem alertas. Uma boa descrição, em contexto B2B, deve deixar claro:

  • O que é o produto (função principal).
  • Material predominante.
  • Principais características técnicas relevantes.
  • Uso previsto, quando impactar no enquadramento fiscal.

2. Valide o NCM antes de fechar o pedido

O código NCM influencia diretamente a alíquota de tributos e o tratamento aduaneiro. Em operações recorrentes:

  • Mantenha uma base interna de NCM revisada com apoio do fiscal ou de consultoria.
  • Evite depender apenas do NCM sugerido pelo fornecedor estrangeiro.
  • Registre quem aprovou o NCM e em qual data, para fins de governança.

3. Coerência entre os documentos

Um dos motivos clássicos de retenção é a falta de coerência entre:

  • Pedido de compra.
  • Fatura comercial (invoice).
  • Comprovante de pagamento.
  • Conhecimento de transporte / etiqueta de envio.

Divergências em valores, quantidades ou descrições geram dúvidas e podem levar à revisão do valor aduaneiro.

4. Atenção ao valor declarado e ao frete

Subfaturamento é um dos principais motivos de autuação. Além disso, em vários casos o frete integra a base de cálculo de tributos. Garanta que:

  • O valor declarado reflete o preço efetivamente pago.
  • O valor do frete conste de forma clara nos documentos.
  • Não haja grandes diferenças entre o valor usual de mercado e o valor praticado.

5. Adote um checklist interno para remessas B2B

Antes de autorizar qualquer envio internacional, utilize um checklist simples com os pontos acima. Isso reduz erros e ajuda a treinar novos integrantes do time.

Lembre-se: nenhuma prática elimina completamente o risco de tributação ou retenção, mas uma operação bem documentada e coerente tende a fluir melhor na fiscalização.